Poucos temas na reprodução assistida moderna geram tanta simplificação quanto a discussão entre transferência embrionária em clivagem, geralmente nos dias 2 ou 3, e transferência embrionária em blastocisto, geralmente nos dias 5 ou 6.
Durante muitos anos, criou-se uma percepção quase automática de que blastocisto é sempre melhor, pois na reprodução natural o embrião chega ao útero nesta fase de desenvolvimento.
Mas a ciência atual mostra um cenário muito mais complexo, individualizado e biologicamente sofisticado.
Hoje entendemos que a melhor estratégia depende profundamente do contexto biológico de cada casal, da quantidade de embriões disponíveis, da idade materna, da resposta ovariana, da qualidade embrionária e do comportamento daquele ciclo específico.
Na medicina reprodutiva moderna, a pergunta correta não é apenas:
“blastocisto é melhor?”
A pergunta mais importante é:
“para qual paciente o cultivo até blastocisto realmente traz benefício?”
No Centro de Fertilidade Saab Curitiba e Londrina, acreditamos que a decisão sobre o melhor dia para transferência embrionária deve ser individualizada, considerando biologia, embriologia, histórico clínico e chance real de nascido vivo.
O que é um embrião em clivagem?
Após a fertilização do óvulo, o embrião começa suas primeiras divisões celulares.
Nos primeiros dias, ele permanece no estágio chamado de clivagem.
Em geral, no dia 2, o embrião possui entre 2 e 4 células. No dia 3, costuma apresentar entre 6 e 10 células.
Esse foi o estágio em que tradicionalmente eram realizadas as primeiras transferências embrionárias na história da fertilização in vitro.
Inclusive, os primeiros anos da FIV mundial foram construídos a partir de transferências embrionárias em estágios mais iniciais, antes da consolidação da cultura prolongada até blastocisto.
A transferência em clivagem, portanto, não deve ser interpretada como uma estratégia ultrapassada por definição.
Ela pode ser menos adequada em alguns contextos, mas ainda pode fazer sentido em situações clínicas específicas, principalmente quando há poucos embriões disponíveis.
O que é um blastocisto?
Após o terceiro dia, o embrião passa por uma transformação extremamente complexa.
Ocorrem ativação do genoma embrionário, compactação celular, diferenciação entre massa celular interna e trofectoderma e formação da cavidade blastocística.
O embrião então atinge o estágio de blastocisto, geralmente entre os dias 5 e 6.
Esse estágio se aproxima mais do momento fisiológico em que o embrião chegaria naturalmente ao útero.
Por isso, a transferência em blastocisto ganhou grande espaço na reprodução assistida moderna.
Ela permite observar por mais tempo o desenvolvimento embrionário, selecionar embriões que demonstraram maior competência evolutiva e, em muitos casos, realizar transferência única com maior precisão.
Mas isso não significa que o blastocisto seja automaticamente a melhor escolha para todos os pacientes.
Por que o blastocisto ganhou tanta popularidade?
A cultura prolongada até blastocisto trouxe vantagens importantes para muitos cenários clínicos.
Ela permite maior capacidade de seleção embrionária, identificação de embriões com maior competência de desenvolvimento, melhor taxa de implantação por transferência, facilitação da transferência única embrionária, possibilidade de realização de análise genética dos embriões por PGT-A e melhor sincronização entre embrião e endométrio.
A própria literatura mostra que a transferência em blastocisto frequentemente apresenta melhores taxas por transferência, especialmente em pacientes com bom prognóstico e maior número de embriões disponíveis.
Um estudo multicêntrico randomizado publicado em 2024 na Nature Communications mostrou que, em mulheres de bom prognóstico, a estratégia de transferência única em blastocisto aumentou a taxa cumulativa de nascido vivo em comparação com transferência única em clivagem. O mesmo estudo, porém, também observou maior taxa de parto prematuro espontâneo e maior hospitalização neonatal por mais de três dias no grupo de blastocisto.
Esse detalhe é muito importante.
Mesmo quando o blastocisto traz vantagens em determinados grupos, o tema não é simples nem absoluto.
O grande problema das simplificações
Talvez um dos maiores erros modernos da reprodução assistida tenha sido transformar o blastocisto em uma espécie de “selo universal de qualidade”.
Porque existe uma pergunta fundamental que precisa ser feita:
o que acontece com os embriões que não chegam ao blastocisto no laboratório?
Essa pergunta é central.
E é justamente aqui que a medicina reprodutiva moderna ficou mais sofisticada.
Um embrião que não chega ao blastocisto em laboratório pode, em muitos casos, refletir limitação biológica real.
Mas nem sempre é possível afirmar com certeza absoluta que aquele embrião não teria nenhum potencial se estivesse no útero desde o 2º ou 3º dia.
Essa dúvida é especialmente relevante quando o casal possui poucos embriões.
Em pacientes com muitos embriões, a cultura até blastocisto funciona como ferramenta de seleção.
Em pacientes com poucos embriões, ela pode se transformar em risco de não transferência.
E essa diferença muda completamente a decisão clínica.
O laboratório nunca será perfeitamente igual ao corpo humano
Mesmo os laboratórios mais avançados do mundo continuam sendo ambientes artificiais.
Hoje conseguimos controlar oxigênio, temperatura, pH, VOCs, partículas ambientais, estabilidade de gases, umidade, osmolalidade e qualidade do ar.
Ainda assim, o ambiente in vitro continua biologicamente diferente do ambiente natural.
Essa é uma das razões pelas quais a decisão entre clivagem e blastocisto precisa ser individualizada.
A cultura prolongada pode ajudar a selecionar embriões mais competentes.
Mas também pode expor embriões mais vulneráveis a mais dias de ambiente artificial.
Em pacientes com muitos embriões, esse risco costuma ser compensado pela capacidade de seleção.
Em pacientes com um ou dois embriões, a conta pode ser diferente.
Nesses casos, prolongar o cultivo pode transformar uma pequena chance em chance zero, caso nenhum embrião chegue ao estágio de blastocisto.
Quando o blastocisto faz muito sentido?
A transferência em blastocisto costuma fazer mais sentido em pacientes com boa reserva ovariana, maior número de embriões, idade mais jovem, boa resposta à estimulação, vários embriões disponíveis para seleção e indicação de teste genético embrionário.
Nesses cenários, o blastocisto funciona também como uma ferramenta de seleção biológica.
O embrião precisa demonstrar competência de desenvolvimento até o dia 5 ou 6.
Isso pode ajudar a reduzir o número de transferências, aumentar a taxa de implantação por tentativa, facilitar transferência única e otimizar estratégias de genética embrionária.
O estudo randomizado de 2024 publicado na Nature Communications reforçou esse ponto em mulheres de bom prognóstico, mostrando aumento de taxa cumulativa de nascido vivo no grupo de blastocisto, embora com sinais de atenção em alguns desfechos perinatais.
Portanto, o blastocisto pode ser uma excelente estratégia.
Mas principalmente quando há embriões suficientes para que a cultura prolongada funcione como seleção, e não como eliminação precoce de todas as possibilidades.
E quando faz sentido transferir em clivagem?
Talvez aqui esteja um dos pontos mais importantes da reprodução assistida moderna.
Pacientes com poucos embriões, baixa reserva ovariana, idade materna avançada, resposta limitada, histórico de baixa conversão para blastocisto ou apenas um ou dois embriões disponíveis podem não se beneficiar da cultura prolongada.
Em muitos casos, insistir obrigatoriamente em blastocisto pode significar não ter nenhum embrião disponível para transferência.
Esse é um conceito essencial:
a ausência de blastocisto no laboratório não significa necessariamente ausência absoluta de potencial biológico.
A transferência em clivagem pode ser considerada quando o objetivo é evitar cancelamento em pacientes com poucos embriões e preservar uma oportunidade real de transferência.
Isso não significa que a transferência em fases de clivagem seja melhor para todos.
Significa que, em pacientes de pior prognóstico, prolongar o cultivo até blastocisto pode não trazer o mesmo benefício observado em pacientes com maior número de embriões.
Na medicina reprodutiva moderna, o melhor dia de transferência não deve ser decidido por dogma.
Deve ser decidido pela biologia do caso.
O útero pode ser melhor incubadora que o laboratório?
Essa é uma pergunta biologicamente fascinante.
E a resposta honesta é:
em alguns cenários, possivelmente sim.
Mesmo com toda a evolução dos laboratórios modernos, o ambiente uterino continua sendo o ambiente fisiológico natural para o desenvolvimento embrionário após determinado ponto.
Alguns especialistas defendem que, em pacientes com poucos embriões, o útero talvez consiga sustentar o desenvolvimento de embriões que poderiam não tolerar perfeitamente a cultura prolongada in vitro.
Essa discussão é especialmente relevante quando existe apenas um embrião disponível, quando o casal já passou por múltiplas falhas, quando há baixa reserva ovariana ou quando existe risco elevado de não transferência.
Nesses casos, a pergunta não é apenas se o blastocisto seleciona melhor.
A pergunta é:
há embriões suficientes para permitir essa seleção sem eliminar a única chance de transferência?
Quando a resposta é não, a transferência em clivagem pode ser uma estratégia biologicamente razoável.
O que os grandes estudos mostram no panorama geral?
As grandes revisões sistemáticas mostram um cenário muito mais equilibrado do que frequentemente aparece nas redes sociais.
A revisão Cochrane (órgão europeu) atualizada sobre transferência em blastocisto versus clivagem indica que a taxa de nascido vivo por transferência fresca provavelmente é maior com blastocisto. Porém, a interpretação da taxa cumulativa depende do desenho do estudo, do tempo de seguimento e do uso completo ou não dos embriões disponíveis.
Um grande estudo randomizado publicado no BMJ (British Medical Journal) em 2024, envolvendo mulheres com pelo menos quatro embriões disponíveis, encontrou taxa cumulativa de nascido vivo semelhante entre transferência em blastocisto e transferência em clivagem: 58,9% versus 58,4%. O grupo blastocisto teve maior taxa de nascido vivo após transferência fresca, menor perda gestacional cumulativa e menor número médio de transferências até nascido vivo, mas não maior taxa cumulativa final.
Esse tipo de achado é fundamental.
Ele mostra que blastocisto pode melhorar a eficiência por transferência, mas nem sempre melhora a chance cumulativa de bebê considerando todos os embriões daquele ciclo.
Na reprodução assistida, essa diferença é decisiva.
Taxa por transferência não é o mesmo que taxa cumulativa por ciclo
Um erro comum na interpretação da transferência em blastocisto é olhar apenas para a taxa de sucesso por transferência.
Quando transferimos embriões que chegaram ao blastocisto, é esperado que a taxa de implantação por transferência seja maior em muitos cenários.
Mas isso não significa automaticamente que a chance total por ciclo iniciado será maior.
A taxa cumulativa de nascido vivo considera o conjunto da jornada: estimulação ovariana, número de óvulos, fertilização, número de embriões formados, cultura embrionária, transferências frescas, embriões congelados e transferências futuras de embriões congelados.
Esse conceito é especialmente importante em pacientes com poucos embriões.
Se uma paciente tem apenas um ou dois embriões, e nenhum chega ao blastocisto, a taxa por transferência deixa de existir, porque não haverá transferência.
Por isso, uma estratégia que melhora a taxa por transferência em pacientes de bom prognóstico pode não ser a melhor estratégia para pacientes de baixa resposta.
O objetivo da FIV não é apenas formar blastocistos.
O objetivo é aumentar a chance real de nascido vivo.
Menos embriões congelados e risco de não transferência
A cultura prolongada até blastocisto pode reduzir o número de embriões disponíveis para congelamento.
Isso acontece porque parte dos embriões que existiam no dia 3 não chega ao dia 5 ou 6.
Em pacientes com muitos embriões, essa seleção pode ser útil.
Em pacientes com poucos embriões, pode ser problemática.
A revisão Cochrane aponta que a transferência em blastocisto tende a apresentar melhores resultados em transferências frescas, mas também reconhece que a interpretação cumulativa precisa considerar embriões remanescentes e o risco de não haver embrião para transferência após cultura prolongada.
Esse ponto precisa ser discutido antes do ciclo.
O casal deve entender que optar por blastocisto pode aumentar a capacidade de seleção, mas também pode aumentar o risco de não ter embrião transferível, especialmente quando o número inicial de embriões é baixo.
A decisão precisa ser transparente.
A medicina reprodutiva moderna ficou menos dogmática
Talvez essa seja a principal evolução dos últimos anos.
Hoje entendemos que blastocisto não é automaticamente melhor para todos.
Também entendemos que transferência em clivagem não significa laboratório inferior.
Pacientes diferentes exigem estratégias diferentes.
O número de embriões importa. A idade importa. A resposta ovariana importa. A medicação utilizada importa. A qualidade do laboratório importa. O histórico do casal importa. E o contexto biológico daquele ciclo importa muito |
A reprodução assistida moderna caminha progressivamente para individualização verdadeira.
Isso significa abandonar respostas automáticas e construir estratégias proporcionais à realidade de cada paciente.
Nossa filosofia sobre transferência embrionária
Ao longo de décadas acompanhando praticamente toda a evolução da fertilização in vitro no Brasil, aprendemos que a biologia humana raramente aceita soluções universais.
Por isso, no Centro de Fertilidade Saab Curitiba e Londrina, nunca acreditamos em protocolos rígidos aplicados indistintamente a todos os pacientes.
Em casais com boa reserva, muitos embriões e elevada competência embrionária, a cultura até blastocisto frequentemente traz vantagens importantes.
Mas em pacientes com poucos embriões, baixa reserva ovariana, idade materna avançada ou baixa produção embrionária, muitas vezes não faz sentido prolongar obrigatoriamente o cultivo até blastocisto, principalmente quando existe apenas o número exato de embriões potencialmente transferíveis.
Nesses casos, insistir cegamente em blastocisto pode simplesmente reduzir as oportunidades reais daquele casal.
A melhor estratégia não é a mais moderna em aparência.
É a mais adequada biologicamente para aquele caso.
O objetivo não é “produzir blastocistos”
O verdadeiro objetivo da reprodução assistida nunca foi produzir blastocistos.
O objetivo é buscar nascidos vivos saudáveis, bebês em casa, mamando na mãe.
E, para isso, a medicina moderna exige interpretação biológica sofisticada, individualização, experiência clínica, embriologia refinada, compreensão dos limites do laboratório e respeito à variabilidade humana.
Produzir blastocistos pode ser uma excelente estratégia quando o contexto favorece essa escolha.
Mas transformar o blastocisto em meta absoluta pode distorcer a lógica do tratamento.
Em alguns casos, o melhor caminho é selecionar.
Em outros, é preservar oportunidade.
A grande maturidade da reprodução assistida contemporânea talvez esteja justamente em abandonar dogmas e compreender que o melhor dia para transferência depende da biologia específica de cada caso.
Centro de Fertilidade Saab: transferência embrionária individualizada em Curitiba e Londrina
No Centro de Fertilidade Saab Curitiba e Londrina, a decisão entre transferência em clivagem ou blastocisto é feita de forma individualizada.
Avaliamos idade materna, reserva ovariana, número de óvulos, fertilização, quantidade de embriões disponíveis, histórico do casal, qualidade embrionária, evolução laboratorial, indicação ou não de PGT-A e risco de não transferência.
Nossa filosofia é integrar embriologia, clínica, laboratório e experiência acumulada para definir a estratégia mais coerente com cada caso.
A cultura até blastocisto é uma ferramenta importante.
A transferência em clivagem também pode ter espaço em situações selecionadas.
O que não faz sentido é transformar qualquer uma delas em regra universal.
Na reprodução assistida moderna, a melhor decisão é aquela que respeita a biologia real do casal.
Perguntas frequentes sobre transferência em clivagem ou blastocisto
O que é transferência embrionária em clivagem?
É a transferência realizada quando o embrião ainda está nos primeiros dias de desenvolvimento, geralmente no dia 2 ou 3 após a fertilização. Nesse estágio, o embrião costuma ter poucas células e ainda não chegou ao estágio de blastocisto.
O que é transferência em blastocisto?
É a transferência realizada quando o embrião chega ao estágio de blastocisto, geralmente no dia 5 ou 6. Nessa fase, já ocorreu maior diferenciação celular e o embrião está mais próximo do momento fisiológico de chegada ao útero.
Blastocisto é sempre melhor que clivagem?
Não. O blastocisto pode ser melhor em pacientes com bom prognóstico e maior número de embriões disponíveis, mas não é necessariamente a melhor estratégia para pacientes com poucos embriões, baixa reserva ovariana ou risco elevado de não transferência.
Quando o blastocisto costuma ser indicado?
Ele costuma fazer mais sentido quando há boa resposta ovariana, vários embriões disponíveis, necessidade de maior seleção embrionária, planejamento de transferência única ou indicação de PGT-A.
Quando a transferência em clivagem pode ser considerada?
A transferência em clivagem pode ser considerada em pacientes com poucos embriões, baixa reserva ovariana, idade materna avançada, baixa produção embrionária ou histórico de baixa conversão para blastocisto.
Um embrião que não chega a blastocisto no laboratório não teria chance no útero?
Não é possível afirmar isso de forma absoluta. Muitos embriões que não chegam a blastocisto provavelmente têm limitação biológica, mas em alguns cenários, especialmente com poucos embriões, pode existir dúvida sobre o impacto do ambiente laboratorial prolongado.
Transferir em blastocisto aumenta a chance de gravidez?
Embrião mosaico é aquele que apresenta populações celulares diferentes, com algumas células cromossomicamente normais e outras alteradas. Hoje sabemos que alguns embriões mosaicos podem gerar gestações saudáveis, dependendo do tipo e do nível de mosaicismo.
O que é taxa cumulativa de nascido vivo?
Pode aumentar a chance por transferência em muitos casos, especialmente em pacientes de bom prognóstico. Mas isso não significa necessariamente maior taxa cumulativa de nascido vivo em todos os grupos.
O blastocisto reduz o número de embriões congelados?
Pode reduzir, porque nem todos os embriões que existem no dia 3 chegam ao dia 5 ou 6. Em pacientes com muitos embriões, isso pode funcionar como seleção. Em pacientes com poucos embriões, pode aumentar o risco de não transferência.
Como o Centro de Fertilidade Saab decide entre clivagem e blastocisto?
A decisão é individualizada, considerando idade, reserva ovariana, número de embriões, qualidade embrionária, histórico clínico, indicação de PGT-A, risco de não transferência e comportamento embrionário no ciclo.
A imprevisibilidade faz parte da reprodução humana
Mesmo com todos os avanços da medicina reprodutiva, existe uma característica que nunca desaparece: a imprevisibilidade da biologia humana.
Na reprodução natural, casais jovens, saudáveis e sem qualquer fator conhecido de infertilidade podem engravidar logo nos primeiros meses. Outros, com o mesmo perfil, podem levar muito mais tempo, sem que exista uma explicação clara. Da mesma forma, um casal que engravidou facilmente em uma gestação pode encontrar dificuldades quando decide ter outro filho.
Na reprodução assistida, essa variabilidade também existe.
Alguns casos que, à primeira vista, parecem simples podem exigir mais tempo, ajustes de estratégia e diferentes etapas até alcançar a gravidez. Em contrapartida, tratamentos considerados mais complexos ou com prognóstico inicialmente reservado podem evoluir de maneira muito favorável e resultar rapidamente em uma gestação.
É justamente por isso que a medicina reprodutiva moderna evita respostas absolutas e protocolos rígidos. Cada ciclo fornece novas informações, cada tratamento amplia o conhecimento sobre aquele casal e cada decisão é construída a partir da evolução clínica, da embriologia e da resposta individual de cada paciente.
Durante essa jornada, talvez o mais importante seja construir uma relação de confiança com a equipe médica. Conversar abertamente, esclarecer dúvidas, compreender as possibilidades e as limitações de cada etapa e permitir que as decisões sejam tomadas de forma compartilhada torna o tratamento mais seguro e mais tranquilo.
Também faz parte do papel da equipe buscar estratégias que tornem esse caminho o mais suportável possível, tanto do ponto de vista emocional quanto financeiro, sempre respeitando a realidade e as necessidades de cada casal.
Por fim, é importante lembrar que a reprodução assistida é construída sobre ciência, tecnologia, experiência e dedicação, mas também exige paciência, esperança e resiliência. A cada novo ciclo, novos conhecimentos são incorporados, novas possibilidades surgem e novas oportunidades podem ser criadas.
Nosso compromisso é utilizar todos os recursos científicos disponíveis, aliados à experiência acumulada ao longo de décadas, para oferecer a cada casal a melhor oportunidade possível de realizar o sonho de levar seu bebê para casa.
Conclusão
A escolha entre transferência embrionária em clivagem e transferência em blastocisto não deve ser guiada por frases prontas.
Blastocisto não é sempre melhor.
Clivagem não é automaticamente inferior.
A melhor estratégia depende da biologia de cada paciente, do número de embriões disponíveis, da idade materna, da resposta ovariana, do histórico reprodutivo, da qualidade laboratorial e do risco de não transferência.
A cultura até blastocisto pode ser excelente em pacientes de bom prognóstico e com vários embriões.
Mas, em pacientes com poucos embriões ou baixa reserva ovariana, a transferência em clivagem pode preservar uma oportunidade real.
No Centro de Fertilidade Saab Curitiba e Londrina, acreditamos que reprodução assistida de alta complexidade exige mais do que protocolos padronizados.
Exige ciência, embriologia, experiência, individualização e respeito à complexidade da biologia humana.
Porque o objetivo da FIV não é apenas chegar ao blastocisto.
É buscar a melhor chance possível de nascido vivo para aquele casal específico.
Dr. Karam Abou Saab
Olá!
Sou o Dr. Karam Abou Saab, ginecologista, obstetra, especialista em reprodução assistida e professor da Universidade Federal do Paraná por muitos anos.
Desde o início da minha carreira, acredito que a medicina evolui quando conhecimento, pesquisa e inovação caminham juntos. Foi com esse propósito que participei dos primeiros avanços da fertilização in vitro no Brasil e tive a honra de conduzir o nascimento do primeiro bebê concebido por FIV no Paraná.
Ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à reprodução assistida, conciliando a prática clínica, o ensino e a pesquisa, meu compromisso sempre foi transformar ciência em oportunidades para que mais famílias pudessem realizar o sonho de ter um filho. Hoje, sigo compartilhando essa missão ao lado de uma equipe que acredita na medicina baseada em evidências, na atualização constante e, acima de tudo, no cuidado individualizado com cada paciente.